08 Julho 2009

224



Primeira Nota
ROGERIO SANTOS

antes da primeira nota
caminhos de pluma
silêncio e açucar

nota por nota
polegadas e polegares
linhas de pentagrama

no tempo preciso
música abstrata
nas teclas do aroma
do teu perfume

antes que seja tarde
e nada mais seja signo
e tudo siga seu rumo
de som pelas galáxias

leve plenamente
nos tons agridoces
o enclave de sal
de quando eu acorde

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14 Junho 2009

223



Sala de leitura
ROGERIO SANTOS

no passo do passo
passo tua vez
doravante delével véu
control alt del
minto intermitente
[enter]
outro passo e teso
vivo espio pio a pio
velo o vôo em si
vi e vejo passo em ti
e não digo que digo
nem nego que nego
nem depois do galo
encalacrar no gargalo
de bicar três vezes
coro de papagaio
quando grita [enfim] batuta
que aí [batata!] tem truta
que puta merda
tá super na cara
me interessa nessa
fazer do corpo
sala de leitura
só pra me arrepender
depois de arder livro
de orelha dobrada
então outra vez
de quando de vez
voltar a página

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10 Junho 2009

222




Gelo
ROGERIO SANTOS

rompe-se tanta coisa
com a espreita do dia
já não há luz nas esquinas
sombras de fundo fosco
vai alma presa num jeans
neva um sorriso no rosto
tudo gelou por inteiro
estrelas no calabouço

a cidade mora em mim
com os seus olhos de espelho
coração dilacerado
vôo e vou de olho aceso
com tanto jeito de fim
quanto sujeito outro
e a cidade move em mim
olhos no espelho do novo

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23 Maio 2009

221


foto: Juliano Beccari

Floramor
ROGERIO SANTOS
(inspirado em "harmonica pra fê" de Juliano Beccari)

minha estrada é de ser
armar o passo e seguir
cada frase antever
em cada acorde efluir

no sorriso de fê
mora a cor desse trem
floramor de viver

passageiro de fé
trilho cravado no sim
estações pra crescer
sem auras feitas de giz

de alegria compor
fazer mais um café
ir ficando de vez


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14 Maio 2009

220




Gota
ROGERIO SANTOS

em serena aridez
um poema se esconde
onde verte uma lágrima
aflora uma fonte

e é fogo nas ventas da noite
que a lua se cansa
que o dia se apronte
de sal viuvez

o trilho atira na tez
a nave aclive na fronte
e eu falo que é bom
de tão bom outra vez

no copo um litro não dito
um quisto não calo não vítreo
avenca poema horizonte
na vela da gota
um Nilo se Fez

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01 Maio 2009

219



Solitário e Coletivo
ROGERIO SANTOS

não bem no ovo
estou de novo aqui
calado
também na casca
dos meus poros calejados
também distante
nesse instante relativo
no espaço que me exato
numa dúzia ou num quilo

não sei ao certo
se bem rato se bem homem
não sei ao certo
se cottage ou roquefort
sei da dança de quem dança
todo instante mal vivido
no espaço que me exalo
do perfume desse grito

minha lorota é de ricota
e meio diet
desnatada e sem açucar
feito gosto de abacate
a loucura que me invade
de silêncio e liberdade
é prisão e é saudade
sem perdão e sem juízo

e sou aquele onipresente
feito um cisco
feito traço de corisco
feito pluma quando baila
todo baile de quem dança
tendo riso por herança
como um choro compulsivo
solitário e coletivo

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21 Abril 2009

218




Holofotes
ROGERIO SANTOS

jogo luz na tua luz
clara sina
faróis
numa esquina da vida

jogo luz na tua luz
para que...
...quem sabe
um relance

jogo luz toda luz
e quem brilha produz
pra cegar provocar
pra bater e ir embora

apelo na pele
atento ao detalhe
e aos pequenos entalhes
dos poros

por cima
por baixo
por dentro
de lado
de costas

porque você sabe
e eu sei
de segredos

segredos segredos
tão bons brinquedos

ficam muito melhor
quando tesos letais
holofotes

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13 Abril 2009

217



Abissal
ROGERIO SANTOS

um gesto vale mais
por isso em meu olhar
a lua cheia sempre sai do mar

estrelas na areia
nas mãos de sereia
a brisa que chega é cais

enquanto a beleza invade
e a dor se evade sem dar sinal
as fases tão bem guardadas
se a lua salga luz abissal

enquanto um poema cala
e um beijo embala o ponto final
poesia tão sem palavra
vem prateada estrela de sal

estrelas na areia
nas mãos de sereia
um verso contigo é mais

sorriso da minha amada
farol na praia do caminhar
carrega um brilho de lua
de branca espuma de puro mar

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23 Março 2009

216



Pé na Areia
ROGERIO SANTOS

teu olhar magnético no meu olho cético
aponta uma ponte entre o amor e o poente
se é
verdade
semente
desejo
ou
cimento
sei que não passo um passo sem seguir em frente
embora haja areia sob os pés
e arpejo de ondas na mente
maré que sobe
maré que desce

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18 Março 2009

215



Saliva
ROGERIO SANTOS

saliva
minha língua
na tua
atadura
to be or not
sermão
na montanha
fogo ruindo
palavras
na pele papel

sal live
pimenta
olfato
oferenda mais rara
or fã nato
une verso e sal
poema cifrado
criptografado
na língua do amor
universal

sativa
trago uma
e quero bis
meu vício
quasetílico
pró par oxítono
quasímodo
degusta sentidos
me suga mamilos
e papilas gustativas

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12 Março 2009

214



Samba do Brejo
Música: RENATO CANDRO
Letra: ROGERIO SANTOS

pra descolar uma rã
é preciso aprender
a engolir sapo
então você, de pé,
lanterna e fé
encara o bicho
que tem dengo de mulher
só faz fugir
se bobear
a vaca vai pro brejo

mas pra saber se dá pé
faça uso de corda e mosquetão
botina e bornal
quem quer a rã
porque tem sanguessuga até
cobra de vidro mora lá
não pisar
toda sogra é jacaré
é de lei

peguei
vem cá

sambei
quem faz ?

São João Donato vai me socorrer


Essa música foi cantada pela primeira vez ontem, dia 11/03/2009, no palco do Café Piu Piu em São Paulo. Fui acompanhado por Floriano Villaça (violão), Caio Góes (baixo) e André Kurchal (percussão).
Abaixo a versão do tema "Samba do Brejo" ainda sem letra, postado por Renato Candro
em sua página do myspace.
- Valeu Renatão, a nossa receita tá aí... quem quiser sair à caça, que se habilite....hehehehe
.

Samba do brejo

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09 Março 2009

Show no Café Piu Piu 11/03/2009 - 21:00



Muita coisa que foi produzida nas páginas desse blog, acabou virando música.
E música é para ser mostrada, portanto:

Rogerio Santos & Floriano Villaça

11/03/09 - 21:30 (Quarta Feira)

Café Piu Piu

Rua 13 de Maio, 134

Olá amigos,

Estaremos novamente no Café Piu Piu no dia 11/03/09 , em show apresentando 2/3 de repertório autoral e algumas canções de grandes compositores da MPB (Lenine, João Bosco, Mário Gil, Guinga, Chico Saraiva)

A banda é a mesma que se formou em Julho de 2008 e continua firme nesse projeto.

Rogerio Santos: Vocal e Percussão
Floriano Villaça: Violão, Arranjos e Direção Musical
Luiza Albuquerque: Vocal
Caio Góes: Baixo
André Kurchal: Percussão

Agradeço à quem puder reproduzir o convite para a rede de amigos e nos ajudar na divulgação.

Beijos
Rogerio Santos

01 Março 2009

213



Desnudez
ROGERIO SANTOS

preciso
conciso
e
incisivo
sabe
o
milimétrico
poeta
que
toda
musa
se
desnuda
pelos
olhos
e
ouvidos

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19 Fevereiro 2009

212



Engenho
ROGERIO SANTOS

há poesia nas raias do silêncio
dona se fingindo de morta
agindo como quem não está
ausente como quem não é
porque a poesia bem sabe
que nunca, mas nunca se sabe
quando um intrometido poeta
romperá o limite do óbvio

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15 Fevereiro 2009

211




Abraço
ROGERIO SANTOS

foi só loucura e lucidez
sol no caminho das mãos
da boca, do olfato, da tez
entrelaçados corações

equidistantes feridas
dançaram nas vias de fato
foi tanto amor que se fez
que se estancaram no ato

escrito na seda da dor
um sim sobrepõe palavras
afronta perguntas questões
na ternura de um abraço

só por loucura e lucidez
sol no caminho das mãos
da boca, do olfato, da tez
entrelaçados corações

equidistantes razões
que se estancaram no ato
um sim sobrepõe questões
na ternura de um abraço

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03 Fevereiro 2009

210



Ponto Final
ROGERIO SANTOS

o amor quando acaba
carrega a poesia
com força de enxurrada

sobra nessas horas
como único recurso
o indefectível ponto final

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29 Janeiro 2009

209



Batalha Naval
ROGERIO SANTOS

eu queria ter aval
para ler com toda calma
os poemas recolhidos
nas páginas do livro
de um dia de verão

um ver de mar azul
um verso de ficção
[faróis] entre colchetes
e casa ampla pros botões
de tua fina blusa rendada

afinal não custa nada
imaginar a situação

[num gostoso tête-à-tête

brincando batalha naval

primeiro "tchibum" n'água, A2

na sequência você revida D4]


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23 Janeiro 2009

208



Criadomudo
ROGERIO SANTOS

o
mundo
de
todo
mundo
muda
e
mudo
o
mundo
de
todo
mundo
cala
se
fala
sem
abrir
a
bendita
boca
emboca
no
mudo
de
toda
fala

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20 Janeiro 2009

207



Blablabla
ROGERIO SANTOS

abeleabeladabelabaladaabadaeladaela
abaladabelabalelablablablaeledabelabala

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16 Janeiro 2009

206



Voo 1549
ROGERIO SANTOS

o avião é uma máquina tão avançada
que mais dia, menos dia
algo do gênero acontece:

mais um deles pensou que era pássaro
e num relance
armou um belo mergulho
quando viu do alto um peixe suculento
nadando tranquilo no meio do rio

os homens robotizados
não observam pássaros

a alma dessa máquina
no fundo
morre de inveja deles

os urubus ficaram à espreita

os homens e sua máquina
tiveram que baixar o nariz

ainda não foi dessa vez
que mais um espetáculo se consumou

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08 Janeiro 2009

205


(foto: Rogerio Santos)

Qualquer Palavra
ROGERIO SANTOS

minha língua em tua língua
minha poesia em tua prosa
com toda a força dos tormentos
que só clamam pela cala

quando te encontrar, minha cara
será numa justa prisão
e não haverá qualquer palavra
que aplaque tal linguagem

nem mesmo as tatuadas
por tua nossa epiderme
pichações em crua carne
onde saudade dá de sal

nenhuma outra frase ou artimanha
precisará ser inventada
e nosso silêncio será pleno
livre das armadilhas da fala

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28 Dezembro 2008

204



Pingente
ROGERIO SANTOS

enquanto uma palavra puxa a outra
enquanto rolam umas frases soltas
sigo trepado no pára-choque da poesia

nem sempre quer dizer muita coisa
além da inércia até o próximo parágrafo
no trânsito caótico de absurdos diários

os apressados que verbalizem pra todo lado
eu prefiro ficar calado valorizando meu tempo
e economizando a borracha para a sola do sapato

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26 Dezembro 2008

203



Em tempo
ROGERIO SANTOS

ainda menino aprendi
com o tempo e à tempo:
........fique parado
........e a vida passa

por conta disso
dei de ombros
aos acomodados:
........peguei carona
........e segui em frente

não sou de dar mole
para arrependimento:
........sorrir é urgente
........e agora é o momento

(a vida não passa duas vezes
e correr atrás deve dar uma canseira...)

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23 Dezembro 2008

202



Transitivo
ROGERIO SANTOS

não penso em nada
quando saio às ruas
só de olhar pelo verso
e transgredir leitura

não há trânsito
que me segure
não há faixa
de rolagem
que me enrole

não há rodas
não há moldas
nem há mulas

não me invente
quebra-molas
não me impeça
que acelere

é café pequeno
e vá tomar no
drive-thru

coma seu medo
e que a poesia
te atropele

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17 Dezembro 2008

201


(foto: Luciana Whitaker)


Alma Lavada

ROGERIO SANTOS


as pedras que rolam no rio

com o sorriso que trouxemos

não são simples fragmentos

quando chove, e chove forte


no vento incomum que bateu

pássaros voaram nossos planos

na água que escorre em meu rosto

não cabe a lágrima de ontem


e bem por isso, é moça no trapézio

porque se sabe arrebatando encostas

e todo o olhar que aflora triste

na alma não faz sedimentos


aquela lágrima de ontem

filha de forte frente fria

foi gelo num copo de uísque

e também teve o seu dia


a água que escorre em meu rosto

eleva uma nuvem menina

e chove erosão de alegria

em persistente garoa fina


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08 Dezembro 2008

200



Nebulosa
ROGERIO SANTOS

cala a fala teu poema
há anos-luz de luneta
são mil estrelas meninas
gametas na gravidade
mail passeio girândola
bissexto com mais de mil dias
e nessa viagem não me há Fobos
amar-te e a galáxia é pequena
constelado céu-da-boca
vela na sopa de letras
vento lunar teu poema
reverso de viagem plena
nave nos confins da língua
satélite feito fonema

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02 Dezembro 2008

199




Zorra
ROGERIO SANTOS

vivo cercado
por tanta zorra
que sou obrigado
a me fazer de tonto
uma vez ou outra


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29 Novembro 2008

198



Vai e faz
ROGERIO SANTOS

flor de vento
verdes são os tempos
desbravadas vias
sintonias finas
sons de efe eme

voz aguda
toda chave
na fogueira da palavra
não é cedo
não é tarde
não há saia justa

acontece que divisa
faz a linha imaginária
horizonte monte ponte
rompe um som pelo ar

vai sonhar
vai soar
vai sonar
vai e vai e vai e vai e vai

faz voar
faz ficar
faz brilhar
faz e faz e faz e faz e faz

flor de vento
ventania no loquete
quebra e parte
abre a grota
erosão se fez

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23 Novembro 2008

128 - Re-postagem

Vou abrir uma exceção merecida.
Repostagem do meu poema 128 - Beijo Torpedo

que foi musicado pelo Tony Pituco Freitas
e acaba de ter uma versão da canção inserida no youtube.




Beijo-Torpedo
Poema: ROGERIO SANTOS
Música: TONY PITUCO FREITAS

num dia nublado desses
te mando um beijo-torpedo
e explodo tua boca carmim
o susto será tão grande
que ficarás assim...assim...

enquanto pensas no fato
no zapt da situação
me cravo no teu coração
tatuo minha boca em tua nuca
e será tarde pro fim...pro fim

Trecho do show no Tocador de Bolacha em 19/11/2008
Beijo Torpedo
Rogerio Santos: voz e triângulo
Luiza Albuquerques: voz
Floriano Villaça: violão e arranjo
Caio Góes: baixo
André Kurchal: percussão


(Vídeo Produzido e Editado por Rose Poulain)

16 Novembro 2008

197




Pelos Pólos
ROGERIO SANTOS
(para melodia de Renato Candro)

cheguei tão perto de você
que não consigo mais viver
meu corpo todo pede
decididamente
que o mundo se acabe num beijo

pele
.......pelos
................pólos
.........................teus


turbilhão de prazer
primavera do ser
plenitude talvez ?

assim tão perto de você
e traduzido vou viver
por esse amor

que toda a luz
de um novo dia

faz a vida florescer


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